Líderes católicos e evangélicos pedem proteção às famílias migrantes nos EUA

Escritórios da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, em Washington, fotografados em 10 de novembro de 2012. Imagem de arquivo, não do anúncio atual. Foto: Farragutful / Wikimedia Commons; correção de perspectiva e recorte por SteveMcCluskey. Licença CC BY SA 3.0. Versão reduzida.

Líderes católicos e evangélicos dos Estados Unidos divulgaram um apelo conjunto pela proteção das famílias migrantes e por medidas de imigração que respeitem a dignidade humana. A declaração foi publicada em 13 de outubro de 2026 pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, a USCCB, e ganhou cobertura do Vatican News em 14 de outubro.

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O documento é assinado por dom Brendan Cahill, presidente da Comissão de Migração da USCCB, e pelo reverendo Walter Kim, presidente da Associação Nacional de Evangélicos, a NAE. Ambos coordenam uma iniciativa de diálogo entre as duas tradições cristãs sobre imigração.

Católicos e evangélicos defendem a unidade das famílias

No comunicado oficial dos bispos americanos, os líderes alertam para o impacto das detenções e deportações sobre famílias cujos integrantes têm situações migratórias diferentes. Segundo eles, a ameaça de separação aprofunda dificuldades já presentes nas comunidades.

A USCCB apresenta o texto como a primeira declaração desse tipo sobre imigração emitida conjuntamente por líderes de alto nível das tradições católica e evangélica nos Estados Unidos. Os signatários ressaltam que a novidade está na manifestação conjunta de convicções cristãs que suas instituições já haviam expressado separadamente.

O que a declaração propõe

O texto integral da declaração, disponível em inglês, reconhece a responsabilidade do governo de administrar as fronteiras e proteger a população. Ao mesmo tempo, pede que essa atuação seja proporcional, humana e respeite as garantias legais das pessoas afetadas.

Entre as propostas estão oportunidades efetivas de regularização para residentes de longa data, proteção da unidade familiar e prioridade de fiscalização para quem ameaça a segurança pública. O documento também solicita limites rigorosos à detenção de imigrantes não violentos, sobretudo crianças e famílias.

Os líderes defendem acesso à assistência jurídica e religiosa para as pessoas detidas, além de caminhos legais seguros e eficientes para trabalhadores, familiares e pessoas que necessitam de proteção humanitária. São propostas dirigidas às autoridades, não mudanças legais já aprovadas.

Dignidade humana como ponto de partida

A argumentação parte da convicção de que cada pessoa possui dignidade por ter sido criada à imagem de Deus. A declaração relaciona essa visão ao cuidado com o estrangeiro, à proteção da família e ao bem comum, sem negar as responsabilidades das autoridades.

Na cobertura publicada hoje, o Vatican News destaca a preocupação dos líderes com o medo vivido nas comunidades e com os obstáculos enfrentados por quem procura estabilidade migratória. A colaboração procura oferecer uma resposta cristã comum a essas dificuldades.

Um diálogo iniciado em março

A iniciativa não começou com a nova declaração. O encontro inaugural do Diálogo Evangélico Católico sobre Imigração aconteceu em 24 de março de 2026. Além dos dois coordenadores, o grupo reúne cinco representantes de cada tradição e observadores de organizações relacionadas.

No anúncio de criação do diálogo, dom Cahill explicou que as diferenças teológicas permanecem, mas não impedem o trabalho conjunto diante de desafios sociais e pastorais compartilhados. O propósito inclui fortalecer a unidade cristã e aplicar o ensinamento do Evangelho às necessidades concretas das comunidades.

O tema também se aproxima da reflexão sobre fraternidade tratada no Blog do Hasen: leia a matéria sobre o apelo de Leão XIV pela paz na família e na comunidade.

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