O papa Leão XIV nomeou dom Francesco Cavina, bispo emérito de Carpi, como novo visitador apostólico de caráter especial para a Paróquia de Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina. A nomeação foi anunciada neste sábado, 31 de outubro, pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
O bispo italiano exercerá a missão por tempo indeterminado e ad nutum Sanctae Sedis, expressão que indica que permanecerá no cargo enquanto a Santa Sé considerar oportuno. Conforme o comunicado oficial do Vaticano, Leão XIV também aceitou a renúncia apresentada pelo arcebispo Aldo Cavalli, que ocupava a função desde 2021.
Uma missão de acompanhamento pastoral
O visitador apostólico tem a responsabilidade de acompanhar de maneira estável a paróquia e os numerosos peregrinos que chegam a Medjugorje. Quando a função foi instituída de forma permanente, em 2018, a Santa Sé explicou que se trata de um encargo exclusivamente pastoral, voltado às necessidades da comunidade local e dos fiéis.
Essa missão não equivale a uma declaração sobre a origem sobrenatural das supostas aparições marianas associadas ao lugar. O visitador atua na organização pastoral, no cuidado dos peregrinos e no discernimento de situações que surgem em torno da experiência religiosa de Medjugorje.
Quem é dom Francesco Cavina
Nascido em 17 de fevereiro de 1955, dom Francesco Cavina foi ordenado sacerdote em 1980 e recebeu a ordenação episcopal em janeiro de 2012. Nomeado por Bento XVI, conduziu a Diocese de Carpi, na Itália, entre 2012 e 2019.
Agora, como visitador apostólico, ele sucede a dom Aldo Cavalli. Segundo o Vatican News, Cavalli completou 80 anos em 18 de outubro e havia sido escolhido pelo papa Francisco em novembro de 2021. Antes dele, a função foi exercida pelo arcebispo polonês Henryk Hoser, primeiro visitador apostólico especial da paróquia.
O atual entendimento da Igreja sobre Medjugorje
Em setembro de 2024, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou a nota “A Rainha da Paz”, aprovada pelo papa Francisco. O documento concedeu o nihil obstat à experiência espiritual ligada a Medjugorje, reconhecendo seus frutos pastorais e autorizando os atos públicos de devoção.
A decisão, porém, não declarou como sobrenaturais as supostas aparições nem estabeleceu que as mensagens atribuídas a Nossa Senhora tenham origem divina. A nota doutrinal da Santa Sé afirma que os fiéis podem acolher prudentemente essa proposta espiritual, mas não são obrigados a acreditar nela.
O documento também atribui ao visitador apostólico tarefas específicas. Entre elas estão acompanhar o discernimento pastoral, verificar publicações que reúnam supostas mensagens e autorizar textos futuros antes de sua divulgação, sempre mantendo o Dicastério para a Doutrina da Fé informado.
Continuidade no atendimento aos peregrinos
Medjugorje tornou-se um dos destinos marianos mais visitados do mundo nas últimas décadas. A nomeação de dom Francesco Cavina garante a continuidade da presença direta da Santa Sé no acompanhamento da paróquia, das celebrações e dos peregrinos.
A orientação oficial da Igreja é que as peregrinações sejam centradas no encontro com Cristo, na oração, na Palavra de Deus, na Eucaristia e na reconciliação, e não na busca por encontros com os supostos videntes.
Foto ilustrativa: igreja católica em Masna Luka, Bósnia e Herzegovina. Kristina Kutleša/Unsplash.