Dom Mário Spaki, bispo de Paranavaí, suspendeu o exercício público do ministério de Adão Dias Martins após críticas ao governo e ao STF durante missa.
O afastamento de padre por manifestação política no Paraná foi decretado pelo bispo de Paranavaí, dom Mário Spaki, após o sacerdote utilizar o espaço litúrgico para promover críticas ao governo federal e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O recente caso envolvendo o afastamento de padre por manifestação política no Paraná trouxe à tona, mais uma vez, o debate sobre os limites da atuação do clero no cenário eleitoral e partidário brasileiro. O decreto, assinado pelo bispo de Paranavaí, dom Mário Spaki, no dia 29 de setembro, impõe uma suspensão de 30 dias ao padre Adão Dias Martins, proibindo-o de exercer publicamente o seu ministério sacerdotal. A medida disciplinar foi motivada por um discurso de aproximadamente 12 minutos proferido ao final de uma missa na Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, localizada no município de Porto Rico, no dia 27 de setembro. Durante a homilia, o religioso não apenas criticou a gestão do governo do Partido dos Trabalhadores (PT), mas também teceu comentários severos contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, classificando-o como “ditador” e incitando os fiéis a considerarem uma mudança na presidência da República.
O impacto do afastamento de padre por manifestação política no Paraná
A repercussão deste episódio foi imediata, com registros em vídeo circulando amplamente pelas redes sociais, o que, segundo o decreto diocesano, comprometeu a finalidade do espaço celebrativo. O documento oficial destaca que o uso do altar para fins partidários fere a comunhão eclesial, um princípio fundamental defendido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Conforme a CNBB, a Igreja Católica, em sua essência, não toma partido, buscando manter uma postura neutra que permita o acolhimento de todos os fiéis, independentemente de suas inclinações políticas. Nesse sentido, a organização reforça que o papel do clero deve ser o de orientar sobre valores éticos e o bem comum, e não o de atuar como cabo eleitoral de candidatos ou siglas partidárias.
Base jurídica e canônica do afastamento de padre por manifestação política no Paraná
Para justificar a punição, o bispo recorreu ao Código de Direito Canônico. O cânon 287, parágrafo 2º, é explícito ao proibir que sacerdotes tomem parte ativa em partidos políticos ou na direção de associações sindicais, exceto em casos excepcionais que envolvam a defesa direta dos direitos da Igreja. Além disso, o decreto cita os cânones 381, 391 e 392, que conferem ao bispo diocesano a autoridade necessária para zelar pela disciplina e pela integridade da doutrina em sua jurisdição. O bispo dom Mário Spaki pontuou que o afastamento de padre por manifestação política no Paraná não foi uma decisão isolada, mas o desdobramento de um histórico de advertências recebidas pelo sacerdote entre os anos de 2020 e 2021.
Em suas declarações, o padre afirmou que prefere apostar na renovação política e sugeriu que os fiéis votassem com a razão, não com a emoção. “Eu, por exemplo, sou a favor de renovar. Eu prefiro apostar em alguém que nunca foi presidente”, declarou durante a missa. Tais falas, que incluíram menções diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foram interpretadas pela cúpula diocesana como uma violação clara da neutralidade esperada do clero. Dados do Banco Central e análises de cientistas políticos apontam que o ambiente de polarização nacional tem levado a tensões crescentes em instituições religiosas. Leia mais sobre a postura da Igreja em períodos eleitorais no nosso blog.
A decisão de dom Spaki ecoa ensinamentos papais recentes, que reforçam que a missão eclesial é universal. Ao citar o papa Leão XIV, o decreto reafirma que a Igreja é para todos e deve evitar a identificação com facções político-partidárias. O episódio serve como um alerta para a necessidade de observância das normas eclesiásticas, garantindo que o altar permaneça um espaço de culto e oração, preservando a unidade dos fiéis em meio a um cenário de intenso debate político no país. O afastamento de padre por manifestação política no Paraná é, portanto, um exemplo claro de como a hierarquia católica busca conter o ativismo político dentro de suas paróquias.
