Bispos chineses participarão de conferência histórica em Roma

Dois bispos da República Popular da China participarão, em Roma, de uma conferência que recordará os cem anos da consagração dos primeiros seis bispos chineses da era contemporânea. O encontro será realizado em 5 de novembro na Pontifícia Universidade Urbaniana e reunirá representantes da Igreja na China, autoridades da Santa Sé e especialistas em história e missão.

A participação de dom Joseph Li Shan, bispo de Pequim, e dom Ignatius Ding Zuyao, bispo de Haimen, foi confirmada nesta quarta-feira, 28 de outubro, pela Agência Fides, órgão ligado ao Dicastério para a Evangelização.

Um centenário decisivo para a Igreja na China

A conferência recordará a celebração presidida pelo Papa Pio XI em 28 de outubro de 1926, na Basílica de São Pedro. Naquela ocasião, seis sacerdotes chineses receberam a ordenação episcopal, tornando-se os primeiros chineses a integrar o episcopado católico na era moderna.

Até aquele período, com uma única exceção registrada no século XVII, os bispos católicos que exerciam o ministério na China eram missionários estrangeiros. A ordenação dos seis novos bispos representou, portanto, um passo importante para confiar a condução das comunidades locais ao próprio clero chinês.

Esse processo estava ligado à renovação missionária promovida pela Santa Sé no início do século XX. A carta apostólica Maximum illud, publicada por Bento XV em 1919, havia reafirmado que a fé católica não é estrangeira a nenhum povo e incentivado a formação de sacerdotes e lideranças nas próprias Igrejas locais.

Bispos de Pequim e Haimen estarão em Roma

Dom Joseph Li Shan foi ordenado bispo de Pequim em 2007, com mandato do Papa Bento XVI e reconhecimento das autoridades chinesas. Sua presença em Roma, segundo a Fides, manifesta a comunhão com o Bispo de Roma, considerada um sinal indispensável da pertença à Igreja Católica.

Dom Ignatius Ding Zuyao, de 40 anos, recebeu a ordenação episcopal em 15 de outubro deste ano. A Sala de Imprensa da Santa Sé informou que o Papa Leão XIV havia aprovado sua candidatura dentro do Acordo Provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China. Ele se tornou o 19º bispo ordenado nesse contexto.

A ligação de Haimen com o centenário é direta. O primeiro bispo daquela Igreja local foi o jesuíta Simon Zhu Kaimin, um dos seis chineses consagrados por Pio XI em 1926. Um século depois, o atual bispo da diocese participará da comemoração em Roma.

Encontro reunirá cardeais e especialistas

A programação incluirá uma intervenção do cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, e a exibição de um documentário sobre a viagem dos seis bispos chineses a Roma. Também participarão o cardeal Stephen Chow Sau Yan, bispo de Hong Kong, e estudiosos da história da Igreja na China.

Entre os temas previstos estão a formação católica no contexto chinês, a inculturação, a construção das Igrejas locais e os aspectos jurídicos das ordenações episcopais. O cardeal Luis Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, fará a conclusão dos trabalhos.

Uma presença que ganha significado

A presença dos dois bispos chineses tem especial significado diante de episódios anteriores. Em 1998, dois bispos convidados por São João Paulo II não puderam participar do Sínodo para a Ásia. Em 2005, nenhum dos quatro bispos chineses convidados por Bento XVI conseguiu viajar a Roma.

Nos últimos anos, encontros que antes eram excepcionais começaram a ocorrer com maior frequência. Em 2024, por exemplo, o bispo de Xangai, dom Joseph Shen Bin, participou na própria Universidade Urbaniana de uma conferência dedicada ao centenário do Concílio de Xangai.

As informações sobre o encontro de 5 de novembro foram publicadas pela Agência Fides. A Sala de Imprensa da Santa Sé publicou o comunicado oficial sobre a nomeação e a ordenação de dom Ignatius Ding Zuyao.

Foto: vista urbana de Pequim. Crédito: Christian Lue/Unsplash.

Deixe um comentário