Leão XIV pede que pais e avós não desistam de transmitir a fé

O Papa Leão XIV pediu que pais e avós não desistam de transmitir a fé, mesmo quando filhos e netos parecem distantes de Deus. A exortação foi feita neste domingo, 8 de novembro, durante a Missa celebrada diante da Catedral-Basílica de Florida, Santuário Nacional da Virgem dos Trinta e Três, padroeira do Uruguai.

Imagem destacada meramente ilustrativa. Foto: Daniele Levis Pelusi/Unsplash.

Na homilia, o Pontífice agradeceu especialmente às mulheres que conservaram a vida cristã dentro das famílias. Também se dirigiu aos homens, destacando que crianças e jovens precisam ver a fé ocupando um lugar verdadeiro na vida de seus pais e avôs.

Leão XIV agradece a mães e avós que transmitiram a fé

Leão XIV começou a reflexão aproximando duas figuras bíblicas: Judite, que enfrentou um momento decisivo para o povo de Israel, e Maria, reconhecida por Isabel como bendita entre as mulheres. A partir delas, recordou a contribuição de mulheres que preservaram a fé e a entregaram às gerações seguintes.

O Papa citou mães que ensinaram as primeiras orações, levaram os filhos ao Batismo e os prepararam para os sacramentos. Lembrou ainda as avós que mantiveram pequenos altares em casa, rezaram por vivos e falecidos e tornaram a presença de Deus perceptível nos gestos comuns do cotidiano.

Essa transmissão, observou, nem sempre aparece nos livros de história. Muitas pessoas reconhecem que a própria fé começou por meio de uma mãe, avó, madrinha, religiosa ou catequista. Mais do que palavras isoladas, permanecem na memória a maneira como essas mulheres rezavam, falavam de Deus e viviam aquilo que ensinavam.

O Pontífice também evocou Loide e Eunice, avó e mãe de Timóteo, mencionadas por São Paulo como mulheres de fé sincera. Entre os testemunhos ligados ao Uruguai, recordou santa Maria Francisca Rubatto e as beatas mártires Dolores e Consuelo Aguiar-Mella.

Quando filhos e netos se afastam da Igreja

Um dos trechos mais pastorais da homilia foi dirigido a quem ensinou os filhos a rezar, mas hoje os vê afastados da Missa ou indiferentes à religião. Leão XIV reconheceu que muitos pais e avós se perguntam se erraram ou se todo o esforço de formação cristã foi perdido.

Como resposta, apresentou o exemplo de santa Mônica, que rezou durante anos pela conversão do filho, Santo Agostinho. O Papa pediu que as famílias não considerem perdida a semente lançada: a ação da graça nem sempre é visível, e Deus pode abrir portas que os familiares não conseguem abrir por conta própria.

A orientação foi perseverar com paciência, sem dureza ou desânimo. Isso envolve continuar rezando, acompanhando e abençoando os familiares, além de recordar com simplicidade aquilo que um dia receberam. A insistência cristã, segundo a homilia, deve ser sustentada pelo amor e pela esperança, não pela imposição.

Pais e avôs também têm uma missão decisiva

Leão XIV dedicou uma parte específica da mensagem aos homens. Ele afirmou que filhos e netos precisam ver os homens da família rezando, recebendo os sacramentos, respeitando suas esposas, pedindo perdão e agindo com honestidade, inclusive quando isso exige sacrifícios.

O exemplo paterno, portanto, não se limita a falar sobre religião. A fé precisa aparecer nas decisões, na maneira de tratar os outros e na disposição de reconhecer os próprios erros. Para o Papa, uma criança aprende muito quando vê o pai ajoelhar-se diante de Deus sem considerar esse gesto incompatível com a dignidade masculina.

Bispos, sacerdotes e pessoas consagradas também foram chamados a apoiar as famílias, exercendo sua paternidade e maternidade espirituais. A missão inclui acompanhar quem vacila e ajudar quem deseja reencontrar o caminho de Deus.

A Igreja não pode apenas esperar que as pessoas voltem

Ao comentar a visita de Maria a Isabel, Leão XIV destacou que a Mãe de Jesus se colocou a caminho e entrou na casa da prima levando consigo o Senhor. Essa atitude, segundo ele, deve inspirar a ação missionária atual.

O Papa disse que não se pode esperar indefinidamente que os afastados retornem sozinhos. A comunidade cristã é chamada a se aproximar, entrar novamente nas casas, ouvir perguntas e apresentar Cristo. Cada fiel pode reconhecer alguém que precisa desse passo: um filho, amigo, vizinho ou pessoa que nunca teve contato próximo com quem lhe falasse de Deus.

A mensagem dá continuidade ao apelo missionário feito na noite anterior, quando Leão XIV falou no Estádio Centenário sobre a fé em uma sociedade secularizada. Em Florida, o foco voltou-se para o ambiente familiar como primeiro espaço de testemunho e evangelização.

Rosa de Ouro e consagração do Uruguai

A Missa ocorreu na festa da Virgem dos Trinta e Três. A pequena imagem mariana está ligada à história da independência uruguaia: em 1825, líderes do movimento de libertação colocaram o início da nova etapa do país sob a proteção de Maria.

Ao final da celebração, Leão XIV anunciou a oferta da Rosa de Ouro ao santuário, gesto tradicional de veneração pontifícia. Também renovou a consagração do Uruguai à Virgem Maria e pediu que o país fosse preservado de tudo o que pudesse afastá-lo de Cristo.

A celebração em Florida marcou o último grande ato público do Papa no Uruguai antes da viagem a Buenos Aires, segunda etapa da visita apostólica à América do Sul. A agenda oficial prevê ainda compromissos na Argentina e no Peru até 17 de novembro.

Fontes

A homilia integral de Leão XIV foi publicada no site oficial do Vaticano. O programa oficial da viagem apostólica confirma a celebração em Florida e as próximas etapas. A Conferência Episcopal do Uruguai também publicou informações sobre o encontro.

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